O
Programa
Educação
em
Tempo
Integral
é
uma
importante
alternativa
que
o
Município
de
Vitória
adotou
em
atenção
ao
segmento
de
educandos
de
maior
vulnerabilidade
social.
Teve
início
em
2005,
conduzida
pela
Secretaria
Municipal
de
Educação
(SEME),
envolvendo,
a
princípio,
as
Secretarias
de
Saúde
(SEMUS)
e
de
Assistência
Social
(SEMAS),
voltadas
ao
atendimento
às
crianças
de
seis
meses
a
seis
anos,
nos
Centros
Municipais
de
Educação
Infantil
(CMEIs).
Em
sintonia
com
o
documento
do
Ministério
da
Educação
(2009,
p.10),
reconhecendo
que
”a
situação
de
vulnerabilidade
e
risco
social,
embora
não
seja
determinante,
pode
contribuir
para
o
baixo
rendimento
escolar
[...]
e,
em
última
instância,
para
a
reprovação
e
a
evasão
escolares”,
o
Programa
definiu
como
prioridade
que
15%
das
vagas
se
destinassem
a
crianças
de
todas
as
faixas
etárias
da
educação
infantil,
que
apresentassem
maior
vulnerabilidade.
Atualmente
o
PETI,
coordenado
pela
Secretaria
Municipal
de
Educação,
foi
estendido
a
40
escolas
da
Rede
Municipal
de
Ensino
da
Prefeitura
Municipal
de
Vitória
(PMV),
tendo
seu
marco
inicial
na
EMEF
Grande
Maruípe
no
ano
de
2010,
oferecendo
contra
turno
aos
alunos
das
séries
iniciais
do
Ensino
Fundamental.
Nessa
perspectiva,
o
Programa
vem
envolvendo
de
forma
articulada,
além
da
Secretaria
Municipal
de
Educação,
outras
nove
secretarias
da
PMV
e
instituições
não
governamentais
(ONGs).
As
crianças
atendidas
pelo
PETI
são
estimuladas
a
estudar
e
no
período
complementar
ao
escolar,
a
participar
de
atividades
culturais,
recreativas,
lúdicas,
artísticas
e
esportivas.
Sendo
que
as
crianças
da
EMEF
Grande
Maruípe
são
atendidas
pelo
Projeto
Esporte
Cidadão
(Faculdade
Salesiana)
e
o
Praia
Tênis
Clube.
Contamos
ainda
com
outras
atividades
que
integram
a
Jornada
Ampliada
da
escola
e
são
desenvolvidas
em
instituições
sociais,
escolinhas,
clubes,
Projeto
Caminhando
Juntos
(CAJUN),
etc.
Para
além
dessas
atividades,
planejamos
visitações
aos
parques,
praças,
museus,
teatros,
cinemas
dentre
outros,
com
vistas
a
promover
conhecimentos
e
integração
na
perspectiva
de
uma
cidade
que
educa.
Nesse sentido, a EMEF G.M se
organizará no atendimento aos alunos em 2012 da seguinte forma:
Todas
as segundas-feiras a equipe do programa se reúne para planejar a
semana dos alunos com atividades e visitas pedagógicas.
Terças
e quintas atividades no Salesiano com o Projeto Esporte Cidadão;
Quartas
atividades na escola com Projeto de dança, Projeto Ler e Escrever
faz você acontecer, Informática, Biblioteca e visitas pedagógicas.
Às
sextas, atividades desportivas no Praia Tênis Clube.
Atividades
Salesiano:
Matutino
– futebol,
capoeira,
vôlei
e
handebol.
Vespertino
– futebol,
capoeira,
handebol,
dança,
ginástica
artística,
basquete
e
vôlei.
Projetos
na
escola:
dança,
musicalização,
biblioteca,
informática
e
Projeto
de
Ler
e
escrever
faz
você
acontecer.
Visitas pedagógicas realizadas em
2011
Agro
turismo (Praça do Papa);
Palácio
Anchieta;
Museu
Ferroviário;
Parque
Botânico da Vale;
Parque
da cidade;
Fazenda
Rico Caipira;
Fazenda
Camping;
Centro
da Juventude (assistir filme);
Álvares
Cabral (teatro Peter Pan);
Pedra
da Cebola;
Horto
de Maruípe;
Cinema
(Shopping Jardins – filme Alice);
Museu
do telefone;
Gran
Expo;
Festival
de atividades e recreação (Salesiano);
Encerramento
das atividades no Salesiano;
Arraia
do Projeto Esporte Cidadão.
O Programa Educação em Tempo
Integral (PETI) no Município de Vitória-ES vem se desenvolvendo (e
implantando a educação integral) progressivamente desde 2005,
atendendo inicialmente a alunos identificados com maior
vulnerabilidade social.
Ao procurarmos compreender a realidade
existencial das crianças e adolescentes matriculadas na EMEF “Grande
Maruípe” e ao verificarmos como, onde e com quem vivem,
constatamos situações de abuso, orfandade, abandono, prostituição,
miséria, uso de drogas, ausência de referência familiar, enfim,
crianças e adolescentes em flagrante vulnerabilidade social.
Percebemos também a complexidade dos
problemas com os quais esses sujeitos – as crianças, seus pais ou
responsáveis, a equipe que faz parte do Programa, - convivem
cotidianamente, e a urgência da implementação e consolidação de
práticas pedagógicas “ricas” (BENJAMIN, 1984), inclusivas e
acolhedoras.
Embasado
na
pedagogia
dialógica
de
FREIRE
(1987),
temos
buscado
identificar
processos
educativos
de
proximidade
educador-educando
em
práticas
experienciais
que
tocam
o
sentir,
perceber
e
compartilhar
saberes
da
diversidade
cultural
do
grupo,
na
produção,
promoção,
vivência
e
respeito
mútuo
às
diferenças.
E
por
meio
da
experiência/sentido
que
transforma,
fortalecer
o
sujeito
para
vencer
e/ou
superar
desafios
existenciais
“[...]
que
lhe
possibilita
inserir-se
no
processo
histórico,
como
sujeito”
(FREIRE,
1987,
p.
24).
A
realidade
da
criança
e
do
adolescente
no
Brasil
é
preocupante.
Sua
situação
de
vulnerabilidade,
sua
inserção
e
participação
cada
vez
com
menos
idade
nas
práticas
perversas
do
tráfico,
ratifica
esta
preocupação.
Segundo
Soares
(et
al.,
2004),
além
da
Constituição
de
1988,
outro
dispositivo
legal
com
o
qual
a
criança
dispõe
para
sua
proteção
é
o
Estatuto
da
Criança
e
do
Adolescente
(ECRIAD).
Contudo,
este
instrumento
não
impede
que
muitas
crianças
brasileiras
vivam
desamparadas
e
excluídas
de
possibilidades
de
terem
experiências
com
sentido
e
que
lhes
permitam
transformar
sua
perspectiva
de
vida.
Assim,
para
essas
crianças
e
adolescentes,
que
ainda
enfrentam
a
falta
de
acesso
à
educação
e
aos
seus
direitos,
e
estão
dentro
de
um
universo
quantitativo
expressivo
de
violência
doméstica,
a
atuação
de
programas
sociais
como
o
de
Educação
em
Tempo
Integral
são
fundamentais
na
perspectiva
de
construir
uma
outra
realidade.
Partindo do princípio que no Brasil
“a educação é direito de todos e dever do Estado” (Art.
205/CF/1988), e do papel e compromisso da escola para a formação
das pessoas, dos sujeitos, dos cidadãos, dos seres políticos e dos
profissionais, a ampliação do horário escolar desperta os
seguintes questionamentos: ampliar o tempo da experiência escolar,
para quê? Qual o papel da educação na sociedade contemporânea?
Qual o sentido da experiência vivenciada pelos segmentos
participantes do PETI da PMV? Ela mudou ou pode mudar de alguma forma
as suas vidas? Mudar em que sentido? Em que sentido isto aconteceu? O
Programa é relevante? Qual a sua viabilidade?
O saber da experiência se dá somente
quando há sentido naquilo que nos acontece. Do contrário, não
confere experiência quando não há percepção e vivência nos
fatos de nossas realidades. Ou seja, “é incapaz de experiência
aquele a quem nada lhe passa, a quem nada lhe acontece, [...] a quem
nada ocorre” (LARROSA, 2002, p. 25).
Em síntese, consideramos a relevância
deste Programa na EMEF Grande Maruípe, para a realização de
reflexões e mudanças, a fim de criar novos sentidos e significados
às vivências e experiências dos sujeitos envolvidos, por meio de
um ensino dinâmico, um projeto pedagógico comprometido, que
compartilhe esforços e esperanças para transformar a realidade
desses sujeitos.
Giovana
Aparecida Velame
Coordenadora
do Programa Educação em Tempo Integral
EMEF
“Grande Maruípe